Autores de cinco países alegam que empresa pode acessar comunicações supostamente protegidas
WhatsApp – Um grupo internacional formado por autores da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul entrou com uma ação judicial contra a Meta, empresa controlada por Mark Zuckerberg, acusando a companhia de fazer declarações enganosas sobre a privacidade e a segurança do WhatsApp. O processo sustenta que a big tech violou a confiança de bilhões de usuários do aplicativo ao promover uma proteção que, segundo os autores, não corresponde à realidade.
Desde que adotou a criptografia de ponta a ponta como um de seus principais argumentos de segurança, o WhatsApp passou a apresentar essa tecnologia como uma garantia de que apenas o remetente e o destinatário teriam acesso às mensagens trocadas, e não a própria empresa. De acordo com o aplicativo, esse recurso vem ativado por padrão.
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Nas conversas protegidas por esse sistema, o WhatsApp informa aos usuários que “somente as pessoas nesta conversa podem ler, ouvir ou compartilhar” as mensagens. Essa promessa, porém, é diretamente contestada pelos autores da ação.
O processo foi protocolado na última sexta-feira (23) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, em São Francisco. Nele, os autores afirmam que as declarações da Meta sobre privacidade são falsas. Segundo a queixa, a Meta e o WhatsApp “armazenam, analisam e podem acessar virtualmente todas as comunicações supostamente ‘privadas’ dos usuários do WhatsApp”, além de acusar as empresas e seus executivos de fraudar os bilhões de usuários do serviço em todo o mundo.
A Meta, que adquiriu o WhatsApp em 2014, reagiu duramente às acusações. Um porta-voz da empresa classificou a ação como “frívola” e afirmou que a companhia “buscará sanções contra os advogados dos autores”.
Em e-mail, o porta-voz Andy Stone negou categoricamente as alegações. “Qualquer alegação de que as mensagens do WhatsApp não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda”, disse. “O WhatsApp utiliza criptografia de ponta a ponta com o protocolo Signal há uma década. Este processo é uma obra de ficção frívola.”
Apesar da negativa, os autores do processo sustentam que a Meta armazena o conteúdo das comunicações dos usuários e que funcionários da empresa podem ter acesso às mensagens. A ação menciona “denunciantes” como fonte dessas informações, mas não detalha quem seriam essas pessoas.
Os advogados dos autores solicitam que o tribunal reconheça o caso como uma ação coletiva. Representantes dos escritórios Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan e Keller Postman, listados no processo, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Já o advogado Jay Barnett, do escritório Barnett Legal, recusou-se a comentar o caso.
(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik/thanyakij-12)