Setor público segue como principal alvo, enquanto ferramentas de inteligência artificial ampliam riscos corporativos
Ataques digitais – As empresas brasileiras enfrentaram, em abril de 2026, uma média de 4.118 ataques cibernéticos por semana, número que representa um crescimento de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte do Relatório de Inteligência de Ameaças divulgado pela Check Point Research (CPR), divisão especializada em inteligência da Check Point Software.
O volume registrado no Brasil ficou muito acima da média global, estimada em 2.201 ataques semanais por organização. Segundo o levantamento, os setores mais atingidos no país foram Governo, Serviços Empresariais e Educação.
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O segmento governamental permaneceu como principal alvo pelo segundo mês consecutivo, mantendo índices superiores à média internacional. Já o setor de Serviços Empresariais avançou duas posições no ranking nacional de ataques.
O cenário acompanha o movimento observado em toda a América Latina, apontada como a região mais atacada do mundo durante o período analisado. A média regional chegou a 3.364 ataques semanais por organização, crescimento de 20% em comparação ao ano anterior.
De acordo com os pesquisadores, o avanço está ligado à rápida digitalização da região, combinada a diferentes níveis de maturidade em segurança digital entre empresas e instituições.
Globalmente, abril marcou uma retomada da atividade cibercriminosa após uma breve desaceleração registrada em março. O relatório aponta aumento de 10% no volume de ataques em relação ao mês anterior e crescimento anual de 8%.
“Os números de abril mostram que a desaceleração de março foi temporária”, afirma Omer Dembinsky, gerente de pesquisa de dados da Check Point Research. “Os atacantes permanecem altamente operacionais e adaptativos, preferindo mudar de alvos e de momento de ação a recuar. À medida que o ransomware escala e a IA generativa se incorpora aos fluxos de trabalho diários, as organizações precisam assumir que o risco cibernético é contínuo e focar em prevenção, governança e segurança baseada em IA capaz de barrar ameaças antes que causem impacto.”
No ranking global por setores, Educação liderou o número de ataques, com média de 4.946 invasões semanais por organização. O segmento é considerado vulnerável por reunir grandes quantidades de usuários distribuídos e, muitas vezes, operar com recursos limitados de segurança digital.
O setor de Governo apareceu em seguida, com média de 2.797 ataques semanais, enquanto Telecomunicações registrou 2.728 ocorrências no período. Segmentos ligados a Hotelaria, Turismo e Lazer também apresentaram aumento nas atividades criminosas.
Além do crescimento dos ataques, o relatório identificou aumento do risco associado ao uso corporativo de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo os pesquisadores, um em cada 28 prompts enviados em ambientes empresariais apresentou alto risco de exposição de informações sensíveis.
O estudo aponta ainda que 90% das organizações que utilizam regularmente ferramentas de IA generativa registraram esse tipo de risco. Outros 19% dos prompts continham informações consideradas potencialmente sensíveis.
Em média, as empresas utilizaram dez ferramentas diferentes de IA generativa durante o período analisado. Já os usuários corporativos produziram cerca de 77 prompts por mês, volume que, segundo os pesquisadores, frequentemente ultrapassa a capacidade de monitoramento e controle interno das organizações.
O ransomware permaneceu entre as ameaças mais relevantes no cenário global. Em abril, foram contabilizados 707 ataques reportados publicamente, crescimento de 5% em relação a março e de 12% na comparação anual.
O setor de Serviços Empresariais concentrou 33,8% dos casos de ransomware, seguido por Bens e Serviços de Consumo, com 14,4%, e Manufatura, com 9,9%.
Regionalmente, a América do Norte respondeu por quase metade dos ataques de ransomware registrados no período. Europa e Ásia-Pacífico apareceram na sequência. Entre os países, os Estados Unidos lideraram em número de ocorrências, enquanto o Brasil apareceu na décima posição, concentrando 1,7% das vítimas globais em abril.
O relatório também identificou forte atuação de grupos especializados em ransomware. O grupo Qilin liderou os ataques publicados no período, seguido por The Gentlemen e DragonForce. Ao todo, 56 grupos distintos de ransomware foram identificados em atividade durante o mês analisado.
Segundo os pesquisadores, a presença simultânea de grandes operações estruturadas e pequenos grupos afiliados demonstra a capacidade de adaptação do ecossistema criminoso digital, mantendo pressão constante sobre governos, empresas e instituições em diferentes partes do mundo.
(Com informações de Convergência Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/kerfin7)