Especialistas alertam que sistemas clássicos já não acompanham a complexidade dos computadores quânticos
Computação quântica – O avanço da computação quântica tem causado preocupações quanto à segurança de dados protegidos por sistemas criptográficos tradicionais. O tema foi debatido durante o Quantum-Safe Summit, evento promovido pela Palo Alto Networks, que reuniu especialistas para discutir os impactos da nova tecnologia sobre a proteção de informações sensíveis.
Segundo os participantes, a maioria dos mecanismos de segurança atual ainda depende de computadores clássicos, cuja capacidade de processamento e complexidade criptográfica são inferiores às dos sistemas quânticos. Essa divergência cria uma vulnerabilidade, já que a evolução da computação quântica pode tornar ultrapassados os métodos de criptografia utilizados hoje.
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O CEO da Palo Alto Networks, Nikesh Arora, destacou que a computação quântica deixou de ser um experimento restrito a laboratórios e já está presente em setores como medicina, aviação e finanças. Para ele, o uso crescente dessa tecnologia impõe questionamentos sobre seus impactos na segurança digital. Arora alertou ainda que eventuais vazamentos de dados podem alcançar proporções capazes de comprometer países inteiros.
A preocupação é compartilhada por especialistas do setor. Jerry Chow, da IBM, afirmou que os recursos necessários para quebrar criptografias vêm diminuindo progressivamente, o que torna possível a ocorrência de ataques com o uso de computadores quânticos no futuro. Para ele, é essencial antecipar por meio do desenvolvimento de novos protocolos de segurança.
Como resposta ao cenário de risco, muitas empresas passaram a adotar a estratégia conhecida como “harvest now, decrypt later”, que consiste no armazenamento de grandes volumes de dados que ainda não podem ser decifrados, mas que poderiam ser acessados no futuro com tecnologias mais avançadas. Ainda assim, os especialistas avaliam que essa abordagem não resolve o problema de forma definitiva.
A necessidade de migrar para soluções de segurança compatíveis com a computação quântica permanece, mas o processo enfrenta resistências. De acordo com Diresh Nagarajan, líder de serviços para o mercado financeiro da IBM, as empresas demonstram medo em transferir grandes volumes de dados para a nuvem. Entre os principais obstáculos estão a falta de visibilidade sobre onde e como a criptografia é aplicada, a complexidade da migração e os possíveis impactos de uma mudança em larga escala sobre as operações.
Nagarajan ressaltou que, embora a computação quântica seja vista como uma solução para problemas que os computadores tradicionais não conseguem resolver, ela também cria desafios que os sistemas clássicos não serão capazes de enfrentar. Para lidar com essa transição, ele defende uma estratégia baseada em ações imediatas, caminhos de transformação bem definidos e mecanismos de proteção que não exijam mudanças profundas nos sistemas, mantendo as operações ativas e reduzindo riscos.
O processo de adaptação, no entanto, precisa ser acelerado. Um mandato global prevê que ativos críticos sejam migrados até 2030, com a finalização da transição até 2035. Para Richu Channakeshava, gerente de produtos da Palo Alto Networks, realizar essa mudança manualmente em ambientes corporativos complexos é difícil e muitas vezes impossível. Segundo ele, o uso de inteligência artificial é o único caminho possível para cumprir os prazos estabelecidos.
Apesar das dúvidas do mercado, os especialistas reforçam a urgência da migração para modelos de segurança compatíveis com a computação quântica. Anand Oswal, executivo da Palo Alto Networks, afirmou que, embora complexa, a transição está se tornando mais segura e ágil, além de indispensável diante de um cenário em que a criptografia clássica tende a deixar de oferecer proteção adequada.
(Com informações de Tiinside)
(Foto: Reprodução/Freepik)