Pesquisa mostrou ainda que 84% dos entrevistados são favoráveis a que os trabalhadores tenham ao menos dois dias de folga por semana

Brasileiros – Um levantamento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados indica que a maior parte dos brasileiros é favorável a mudanças na jornada de trabalho que garantam mais dias de descanso semanal. De acordo com o estudo, 84% dos entrevistados defendem que os trabalhadores tenham ao menos dois dias de folga por semana.

Quando questionados especificamente sobre o fim da escala 6×1 – modelo em que se trabalha seis dias e descansa um – 73% declararam apoio à proposta, desde que não haja redução salarial. Ao considerar a questão de forma mais ampla, 63% se disseram favoráveis ao término da escala. No entanto, o apoio diminui caso a mudança implique corte na remuneração: nesse cenário, apenas 28% manteriam posição favorável.

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A pesquisa ouviu 2.021 pessoas com mais de 16 anos, em todas as 27 unidades da Federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 deste mês.

Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o debate deve girar em torno da relação entre redução da jornada e manutenção da renda. “Essa é a grande questão, porque as empresas defendem que a jornada não seja reduzida mas, se houver redução, é com diminuição do salário. E os trabalhadores, de maneira geral, não topam uma redução de jornada com redução de salário”, explica.
O apoio à proposta varia conforme o voto nas eleições presidenciais de 2022. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71% se dizem favoráveis ao projeto. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, o índice de apoio é de 53%. Em ambos os grupos, há ainda parcelas que se declaram contrárias ou que preferiram não opinar.

A proposta em tramitação é a PEC 148/2015, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em dezembro do ano passado. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e outras duas na Câmara dos Deputados.

Caso seja aprovada, a implementação ocorrerá de forma gradual. No primeiro ano, as regras atuais seriam mantidas. Em seguida, o número de folgas semanais subiria de uma para duas. A jornada máxima, hoje fixada em 44 horas semanais, poderá ser reduzida progressivamente até alcançar 36 horas a partir de 2031. Um dos pontos que ainda deve ser definido pelo Congresso é se a mudança poderá ocorrer sem redução salarial.

Questionados sobre as chances de aprovação da proposta, 52% dos entrevistados acreditam que o Congresso deve aprová-la, enquanto 35% consideram que ela não deve avançar. Apenas 12% afirmaram compreender bem o conteúdo da PEC.

(Com informações de Agência Brasil)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil)