Ferramenta analisa imagens em tempo real e aponta queda nos índices de acidentes em rodovias
Câmeras com IA – A inteligência artificial vem sendo empregada para identificar infrações de trânsito, como motoristas que dirigem sem cinto de segurança ou manuseando o celular. A tecnologia já registrou milhares de flagrantes nas rodovias brasileiras, revelados na atração.
“Nós estamos vivendo uma nova epidemia, que é a epidemia da distração. Antigamente, as pessoas apenas falavam ao celular. Hoje, dirigem digitando mensagens, o que aumenta o potencial risco de acidente”, afirma Alessandro Pereira, gerente de operações de uma concessionária.
LEIA: Justiça condena à prisão hacker que derrubou sistemas do TJ-RS
Instaladas em pontos estratégicos das rodovias, as câmeras possuem resolução ultradefinida e conseguem captar detalhes mesmo com veículos em alta velocidade, chegando a 300 km/h. Os equipamentos funcionam 24 horas por dia e não sofrem interferência de reflexos ou baixa luminosidade.
As imagens são analisadas em tempo real por sistemas de inteligência artificial, que identificam possíveis infrações e fazem a sinalização automática para verificação.
“A gente apresenta um conjunto de dados para ela, para ela treinar e validar em cima daquilo, e depois ela consegue replicar esse conhecimento em imagens que ela não viu até então”, explica Cassio Vinícius Carletti Negri, coordenador de gestão operacional.
Antes que qualquer multa seja aplicada, os registros passam por checagem humana. “O que o policial faz é verificar se, de fato, não houve nenhum erro no trabalho da inteligência”, explica Fábio Rocha de Souza, inspetor da PRF.
Impacto direto na segurança viária
Em Ribeirão Preto (SP), uma das primeiras cidades a contar com o sistema, os dados chamam atenção. Entre julho e novembro de 2025, mais de 20 mil infrações foram registradas. Desse total, mais de mil foram por uso do celular ao volante e quase 17 mil por falta do cinto de segurança.
Segundo a concessionária responsável, após a implantação dos equipamentos houve uma queda de 30% no número de acidentes. “As pessoas percebem que podem ser multadas e isso aumenta o nível de segurança para a rodovia”, afirma Ana Caetano, gerente de operações da concessionária.
O presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), Antonio Meira, explica que o celular provoca três tipos distintos de distração ao motorista: manual, visual e cognitiva. “A 80 km/h, ler uma mensagem pode significar dirigir por até 100 metros às cegas”, alerta.
Drones reforçam fiscalização no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, outra tecnologia vem sendo usada para coibir infrações graves. Drones auxiliam na identificação de motoristas que tentam driblar a Lei Seca, parando o veículo antes da blitz e trocando de lugar com passageiros para evitar o teste do bafômetro.
As imagens aéreas também permitem flagrar manobras perigosas, como retorno pela contramão ou travessia de canteiros centrais, possibilitando uma abordagem rápida das equipes em solo.
“A gente precisa mudar os comportamentos, as atitudes, para que a gente possa preservar vidas”, ressalta Anthony Lima, superintendente da PRF/Ceará.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik)