Com bilhões movimentados na economia, festa também impulsiona crimes digitais e pressiona o setor de TI e cibersegurança
Fraudes digitais – O Carnaval 2026 deve movimentar R$ 14,48 bilhões na economia brasileira, mas o crescimento da atividade econômica vem acompanhado de um aumento expressivo nos crimes digitais e nos roubos de dispositivos móveis. Especialistas em cibersegurança alertam que a festa se consolida como um dos períodos mais críticos do ano para fraudes financeiras e ataques virtuais.
Em São Paulo, os números do Carnaval 2025 revelam a dimensão do problema. Entre 28 de fevereiro e 4 de março, foram registrados 3.678 furtos e roubos de celulares, uma média de 21 aparelhos levados por hora. Na prática, um celular desapareceu a cada dois minutos durante os dias de folia, evidenciando um cenário de risco constante para foliões e empresas.
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No Rio de Janeiro, a situação seguiu a mesma tendência. A capital fluminense apresentou um aumento de 46% nos casos de furtos e roubos de celulares em relação ao Carnaval de 2024, reforçando a percepção de que os grandes eventos se tornaram alvos estratégicos para criminosos especializados.
Além das perdas físicas, o avanço das fraudes digitais amplia o impacto desses crimes. Levantamento do Instituto DataSenado aponta que mais de 40 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes digitais em 2024. Parte significativa dessas ocorrências está ligada a fraudes envolvendo o Pix, que se intensificam em períodos de grande circulação de pessoas e aumento no volume de transações.
Entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de 24 milhões de brasileiros caíram em golpes relacionados ao sistema de pagamento instantâneo, segundo pesquisa da Silverguard em parceria com o Datafolha. O prejuízo acumulado chegou a R$ 29 bilhões, um valor que ultrapassa o orçamento anual de diversos estados do país.
A sofisticação dos ataques também chama atenção. Em 2025, fraudes com uso de deepfakes cresceram 126% no Brasil, permitindo a criação de vídeos e áudios falsos capazes de enganar pessoas e sistemas de verificação. Durante o Carnaval 2024, tentativas de fraude foram registradas a cada 2,4 segundos, explorando desde maquininhas de cartão adulteradas até QR Codes fraudulentos, redes Wi-Fi públicas comprometidas e perfis falsos nas redes sociais.
O roubo em massa de celulares agrava ainda mais o cenário. Apenas entre 18 e 21 de fevereiro de 2024, cerca de 3,4 mil aparelhos foram levados na capital paulista. Além do prejuízo material, esses dispositivos dão acesso a contas bancárias, dados pessoais e informações corporativas sensíveis, ampliando os danos potenciais.
Para o setor de TI e cibersegurança, os números se traduzem em desafios estratégicos. Instituições financeiras, bancos e fintechs enfrentam pressão crescente para reforçar sistemas antifraude e investir em monitoramento em tempo real, especialmente durante períodos de alta movimentação. Soluções baseadas em inteligência artificial ganham espaço na tentativa de identificar comportamentos anômalos e bloquear transações suspeitas.
O mercado de proteção móvel também acompanha esse movimento. Aplicativos de bloqueio remoto, autenticação multifator e gestão de dispositivos móveis tornam-se cada vez mais relevantes, assim como ajustes em apólices de seguros para celulares e equipamentos eletrônicos, que passam a considerar a sazonalidade dos crimes.
A educação digital aparece como um dos pontos centrais no enfrentamento do problema. O alto número de vítimas de golpes via Pix revela falhas na compreensão sobre práticas básicas de segurança, especialmente em situações de engenharia social. Empresas que investem em treinamento reduzem significativamente sua exposição a esse tipo de ataque.
Às vésperas do Carnaval 2026, a festa se apresenta não apenas como um motor econômico e cultural, mas como um verdadeiro teste de resiliência para a infraestrutura de segurança digital do país. Com crimes cada vez mais frequentes e sofisticados, o desafio do setor de TI deixa de ser a prevenção absoluta e passa a envolver rapidez na detecção, contenção de danos e capacidade de resposta em larga escala.
(Com informações de It Show)
(Foto: Reprodução/Freepik)