Técnica chamada Bit2Watt explora oscilações no consumo energético das GPUs para comprometer redes elétricas, danificar equipamentos e até permitir o roubo de dados
Data centers – Pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, identificaram um novo tipo de vulnerabilidade que pode representar uma ameaça inédita aos data centers de inteligência artificial. Batizado de Bit2Watt, o método não depende da instalação de malwares, vírus ou ataques de phishing. Em vez disso, utiliza códigos legítimos e conceitos matemáticos para manipular o consumo de energia dos servidores, transformando a própria infraestrutura elétrica em um possível alvo de sabotagem.
O estudo, publicado no início de julho, classifica o Bit2Watt não apenas como uma ameaça cibernética, mas como um ataque ciberfísico. Segundo os pesquisadores, invasores poderiam explorar o comportamento energético do hardware para comprometer a rede elétrica do data center, causando danos físicos e impactos na operação.
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Embora o cenário ainda seja apenas teórico e nunca tenha sido registrado na prática, os especialistas afirmam que os cálculos demonstram a possibilidade de colapsar a rede de energia de grandes centros de processamento voltados à inteligência artificial.
Enquanto grande parte da atenção do setor de segurança está voltada para ataques de malware e o roubo de informações, os pesquisadores alertam para um novo tipo de risco decorrente das mudanças na distribuição de energia dos data centers. Segundo o estudo, essas infraestruturas passaram a apresentar vulnerabilidades relacionadas à própria dinâmica da rede elétrica.
As simulações realizadas com base na topografia da rede elétrica da Europa indicam que uma sabotagem na frequência energética poderia derrubar mais de 1.200 linhas de transmissão. Além dos danos físicos, o cenário também abriria espaço para o roubo de dados sensíveis.
Oscilações podem provocar falhas em cascata
Os pesquisadores explicam que os grandes modelos de inteligência artificial exigem servidores equipados com dezenas de milhares de GPUs trabalhando simultaneamente. Diferentemente dos computadores convencionais, essas placas alternam constantemente entre momentos de processamento intenso e pausas para sincronização de dados, fazendo com que o consumo de energia varie de forma significativa.
Ao mesmo tempo, as redes elétricas modernas utilizam cada vez mais fontes renováveis, como sistemas fotovoltaicos, que dependem de inversores eletrônicos para operar conectados à rede.
Segundo o estudo, um agente malicioso que alugasse espaço em um data center como um cliente legítimo poderia executar cargas de trabalho especialmente desenvolvidas para fazer as GPUs alternarem entre atividade e inatividade mais de 6 mil vezes por segundo.
Essa oscilação extrema faria com que o sistema alternasse rapidamente entre níveis muito baixos de potência e tensões extremamente elevadas. Os pesquisadores comparam o efeito ao de aquecer um metal em uma fornalha e, logo em seguida, mergulhá-lo em água extremamente gelada.
De acordo com as simulações, as redes elétricas atuais não conseguem absorver variações tão rápidas. O ataque produziria um amortecimento negativo de até -0,27, comprometendo o controle da rede. Como consequência, disjuntores poderiam ser desligados automaticamente e mais de 80% das linhas de transmissão poderiam ser afetadas.
Os especialistas classificam esse comportamento como um tipo de Ataque de Negação de Serviço (DoS), mas com uma característica incomum: em vez de apenas interromper sistemas digitais, o principal prejuízo seria físico, devido ao superaquecimento e à possível destruição de componentes da infraestrutura.
O estudo também aponta outra possibilidade de exploração. Segundo os pesquisadores, um invasor poderia transmitir dados confidenciais por frequências específicas, fazendo com que as informações fossem emitidas em ondas eletromagnéticas e captadas por uma antena instalada fora do data center.
Medidas de proteção exigem investimentos
Os pesquisadores afirmam que, devido à complexidade do Bit2Watt, as medidas de proteção também exigem soluções avançadas. Entre as recomendações está a adoção de sistemas sofisticados de monitoramento cibernético capazes de identificar padrões suspeitos de treinamento executados nos servidores, embora essa abordagem demande investimentos elevados.
Outra medida sugerida é integrar os sistemas de monitoramento digital aos mecanismos de proteção física dos data centers. Dessa forma, caso um código passe a provocar anomalias elétricas, o acesso do cliente responsável poderia ser interrompido imediatamente, reduzindo o risco de danos à infraestrutura.
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(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Magnific/vecstock)