Setor deve movimentar cerca de R$ 26,8 trilhões até 2033, mas países devem agir para evitar concentração dos benefícios

Inteligência artificial – Até 2033, o mercado mundial de inteligência artificial deve alcançar US$ 4,8 trilhões (equivalente a R$ 26,8 trilhões) — valor próximo ao PIB da Alemanha. É o que apontou um relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira (3), que também advertiu que cerca de 40% dos postos de trabalho em todo o planeta podem sofrer impactos significativos.

Embora a IA esteja revolucionando economias e abrindo novas oportunidades, a tecnologia pode ampliar disparidades sociais, destacou a UNCTAD, agência da ONU para comércio e desenvolvimento.

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O documento afirma que “a inteligência artificial tem potencial para aumentar a produtividade, mas também traz riscos de automação e perda de empregos, afetando quatro em cada dez trabalhadores globalmente”.

Diferentemente de revoluções tecnológicas anteriores, que atingiram principalmente funções manuais, a IA deve impactar setores que demandam alto conhecimento técnico. Economias desenvolvidas, portanto, seriam as mais expostas, embora estejam mais preparadas para absorver os benefícios da tecnologia do que nações em desenvolvimento, explicou a agência.

“A automação via IA tende a beneficiar mais o capital do que os trabalhadores, o que pode agravar desigualdades e reduzir a competitividade de mão de obra barata em países menos desenvolvidos”, alertou a UNCTAD.

Em comunicado, Rebeca Grynspan, diretora da agência, defendeu que o desenvolvimento da IA priorize o bem-estar humano e exortou maior cooperação internacional para “reorientar a tecnologia a serviço das pessoas, com uma governança global construída coletivamente”.

“A evolução tecnológica impulsiona a economia, mas não assegura justiça social nem desenvolvimento inclusivo por si só”, ressaltou a diretora no relatório.

IA no topo dos lucros

Em 2023, tecnologias de ponta — incluindo internet, blockchain, 5G, impressão 3D e IA — movimentaram US$ 2,5 trilhões. A projeção é que esse valor salte para US$ 16,4 trilhões na próxima década, segundo o estudo. A IA deve liderar esse crescimento, com um mercado estimado em US$ 4,8 trilhões até 2033.

No entanto, a UNCTAD chamou atenção para a concentração de recursos: apenas 100 empresas, majoritariamente dos EUA e da China, respondem por 40% dos investimentos corporativos em pesquisa e desenvolvimento de IA.

“Os países precisam agir imediatamente”, afirmou a agência, recomendando investimentos em infraestrutura digital, capacitação e regulamentação para “garantir que a IA promova o desenvolvimento sustentável”.

“A tecnologia não deve apenas eliminar postos de trabalho, mas também gerar novos setores e capacitar profissionais”, destacou o relatório, defendendo “reciclagem e adaptação da força de trabalho para transformar riscos em oportunidades”.

A ONU também criticou a exclusão de nações mais pobres dos debates sobre governança da IA. “Enquanto 118 países – a maioria do Sul Global – ficam de fora das discussões, o futuro econômico está sendo definido. Essas nações precisam participar das decisões para que a IA beneficie a todos, não apenas a poucos”.

(Com informações de O Globo)
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