Instituições financeiras deverão adotar sistema que bloqueia contas envolvidas em golpes e permite denúncia direta pelo aplicativo do banco

Pix – Todos os dias, brasileiros são vítimas de golpes eletrônicos, e o Pix está entre os principais alvos. A partir de fevereiro, novas regras do Banco Central passam a valer e prometem aumentar a segurança do sistema, tornando mais rápida a identificação de fraudes e a tentativa de recuperação do dinheiro desviado.

As mudanças exigem que todas as instituições financeiras sigam um novo protocolo: assim que um golpe for denunciado, a conta que recebeu a transferência será automaticamente bloqueada. Caso não haja mais saldo, o sistema seguirá o rastro do dinheiro, buscando a conta seguinte para onde o valor foi enviado, e assim sucessivamente. Outra novidade é que o alerta de golpe poderá ser feito diretamente no aplicativo do banco.

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A aposentada Rita Arai conhece bem os transtornos que uma fraude pode causar. Com o piso da garagem em reforma, ela precisava remover com urgência o grande volume de entulho acumulado – cerca de 40 sacos, segundo estimou. Rita contou que queria se desfazer do material o quanto antes, já que o pedreiro aguardava a retirada para iniciar a instalação do novo piso.

Na correria, Rita encontrou uma empresa que oferecia o serviço de retirada com caçamba. O valor pedido era de R$ 260, pago via Pix. “Era R$ 260, aí eu fiz o Pix e fiquei esperando. Ela falou até às 18 horas a caçamba chega, aí fiquei esperando e o dia foi passando”.

A caçamba nunca chegou, e o serviço era um golpe. Restou a Rita tentar reaver o dinheiro junto ao banco. “O banco disse que não, que provavelmente o sujeito que fez esse golpe passou em seguida para outro, não sei, passou o dinheiro e não tinha como eu receber de volta e tive esse prejuízo”.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o sistema atual acaba sendo mais lento do que a ação dos golpistas.

“Ele pegava simplesmente a primeira camada da conta que recebia o recurso. E essa primeira camada normalmente é uma conta laranja, então é uma conta de passagem, o dinheiro batia nessa conta e rapidamente circulava para uma segunda, uma terceira conta. Então você precisava necessariamente que a instituição financeira contatasse essa outra instituição financeira para iniciar essas análises, então eram canais estabelecidos bilateralmente, mas não automatizados”, explica Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban.

Com esse modelo, quando a comunicação entre os bancos acontece, o dinheiro já desapareceu. Hoje, as instituições conseguem recuperar menos de 10% dos valores roubados via Pix, índice apontado como um dos fatores que estimulam o aumento desse tipo de crime.

A nova regulamentação busca mudar esse cenário ao automatizar o processo de bloqueio e rastreamento das transações fraudulentas. “Qual que é o nosso grande objetivo aqui? É que, além de a gente aumentar a recuperação, a gente traga novos mecanismos para tornar cada vez mais caro esse empréstimo de contas ou uso de contas laranjas”, afirma Ivo Mósca.

A expectativa é que as novas regras reduzam o número de vítimas e evitem situações como a vivida por Rita. “É sentir mesmo roubada, enfiaram mesmo a mão no bolso e tiraram, só que você não viu o ladrão, tem que tomar muito cuidado”.

(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Marcello Casal jr/Agência Brasil)