Estudo pioneiro no Brasil aposta em sensores vestíveis para monitorar, em tempo real, variações motoras de pacientes com Parkinson fora do ambiente clínico
Parkinson – Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) estão desenvolvendo uma nova abordagem para o acompanhamento da doença de Parkinson ao transferir o monitoramento dos sintomas para o ambiente domiciliar. A iniciativa, denominada “Parkinson no Lar”, utiliza sensores vestíveis capazes de captar, em tempo real, variações motoras dos participantes durante suas atividades cotidianas.
O estudo é conduzido pelo Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde (Niats/UFU) e integra uma pesquisa de doutorado em Engenharia Biomédica, realizada em parceria com instituições nacionais e internacionais. Trata-se da primeira iniciativa no Brasil a avaliar continuamente os sintomas da doença dentro das residências dos pacientes.
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Ao priorizar a coleta de dados fora do ambiente clínico, os pesquisadores buscam obter um retrato mais fiel da evolução da doença no dia a dia. De acordo com a equipe, o modelo tradicional, baseado em consultas pontuais, pode não refletir com precisão a realidade dos pacientes, já que fatores como ansiedade durante o atendimento e a oscilação dos sintomas ao longo do dia podem interferir na avaliação médica.
Os dispositivos utilizados na pesquisa são semelhantes a relógios inteligentes e permitem o acompanhamento de sinais como tremores, rigidez e outras manifestações motoras em diferentes momentos. Além disso, os dados coletados consideram variáveis como alimentação, uso de medicamentos e níveis de estresse.
A expectativa dos pesquisadores é que as informações obtidas contribuam para a personalização dos tratamentos e tornem as decisões clínicas mais assertivas. O estudo também pode abrir caminho para a futura incorporação dessa tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS).
A fase inicial da pesquisa já está em andamento e inclui o recrutamento de voluntários em Uberlândia. Os participantes são acompanhados por cerca de um mês e meio, com a combinação de avaliações clínicas e o uso dos sensores em casa.
Além de pessoas diagnosticadas com Parkinson, o estudo também busca voluntários sem a doença. Esse grupo é considerado essencial para estabelecer parâmetros de comparação e diferenciar alterações naturais do envelhecimento de sintomas específicos da condição neurológica.
A participação é voluntária e ocorre sob supervisão do Comitê de Ética em Pesquisa da UFU.
(Com informações de Diário de Uberlândia)
(Foto: Reprodução/Freepik)