Câmera e lanterna do celular podem ajudar a identificar sinais de dispositivos escondidos em ambientes fechados
Câmeras escondidas – Casos de câmeras ocultas em espaços de uso coletivo não são incomuns. Recentemente, por exemplo, uma mulher encontrou um equipamento escondido no banheiro da empresa onde trabalha, na cidade de Içara (SC).
Registrar imagens sem autorização pode caracterizar crime, mesmo quando a gravação ocorre sob o argumento de segurança. O Código Penal prevê pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa, para quem gravar cenas íntimas sem o consentimento das pessoas envolvidas.
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Não existe um método totalmente seguro para garantir que um local esteja livre de câmeras ocultas. Ainda assim, o celular pode ajudar a diminuir o risco de passar despercebido por equipamentos desse tipo.
Especialistas recomendam algumas etapas para verificar quartos ou banheiros. Embora nem sempre seja prático fazer essa verificação em todos os lugares visitados no dia a dia, a checagem pode ser útil em situações em que a pessoa permanecerá por mais tempo em um ambiente, como em um quarto de hotel.
“A pessoa pode verificar a lâmpada, as tomadas, os relógios . Todo equipamento eletrônico que tem energia elétrica ou que não deveria estar naquele lugar pode ser verificado”, disse o especialista em cibersegurança Alexandre Armellini ao g1 em uma reportagem de 2024.
Dica 1: Procure reflexos da lente
Com o ambiente o mais escuro possível, ative a câmera do celular com o flash ligado. Observe a tela do aparelho enquanto aponta para diferentes pontos do quarto. Caso apareçam pequenos reflexos brilhantes em locais incomuns — como detectores de fumaça ou luminárias — pode haver ali a lente de uma câmera.
Dica 2: Fique atento a luzes infravermelhas
Ainda com o ambiente escuro, abra a câmera do celular, mas mantenha o flash desligado. Observe se aparece uma pequena luz arroxeada piscando. Esse tipo de sinal pode indicar a presença de câmeras capazes de gravar imagens mesmo em ambientes sem iluminação.
Dica 3: Examine as tomadas
Outra verificação possível é nas tomadas. Use, por exemplo, o carregador do celular para testar a instalação elétrica. Se o plugue for compatível com o padrão da tomada e ainda assim não encaixar corretamente, existe a possibilidade de que o local tenha sido alterado ou adaptado.
Dica 4: Observe os espelhos
Utilize a lanterna do celular para iluminar espelhos e procurar pontos transparentes ou irregulares. Também vale tocar no vidro e perceber o som produzido: se o espelho parecer oco, isso pode indicar espaço atrás dele, onde algum dispositivo poderia estar escondido.
Esse tipo de técnica costuma exigir espaço na parte posterior do espelho. Por isso, é mais provável em modelos instalados em molduras ou estruturas afastadas da parede.
Onde prestar mais atenção
Durante a inspeção, o ideal é focar em locais onde um equipamento realmente poderia ser ocultado. Isso inclui pontos mais altos do ambiente, cantos do quarto ou objetos posicionados próximos a tomadas.
Itens decorativos ou objetos que ajudam a “camuflar” dispositivos também merecem atenção.
Outro cuidado envolve acessórios oferecidos por estabelecimentos, como carregadores de celular. Alguns modelos podem ter pequenas aberturas ou luzes que escondem uma câmera.
Mesmo sendo discretos, esses equipamentos não costumam ser microscópicos. As lentes podem caber no pequeno orifício de uma tomada, mas o mecanismo por trás costuma ter dimensões maiores.
“Não existem câmeras muito pequenas de fácil acesso. As câmeras minúsculas custam muito caro. Então, o que se encontram são câmeras um pouco maiores com um circuito de alimentação. Podem até existir câmeras com bateria, mas elas duram pouco”, afirma.
Segurança sem exageros
Há métodos mais avançados para procurar dispositivos escondidos, como aplicativos que identificam aparelhos conectados ao Wi-Fi ou detectores de radiofrequência. No entanto, essas ferramentas podem exigir conhecimentos técnicos e acabar confundindo mais do que ajudando.
Além disso, diversos aparelhos emitem radiofrequência, o que pode dificultar a identificação de um possível dispositivo suspeito. “O seu celular já emite radiofrequência, bem como um notebook, uma lâmpada inteligente, o Wi-Fi e o próprio rádio”.
Mesmo adotando medidas de precaução, especialistas recomendam evitar que a preocupação se transforme em paranoia. Isso porque não há como ter certeza absoluta de que um espaço está completamente livre de vigilância.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik/mehaniq)