Fundado há quatro décadas, o Laboratório Nacional de Astrofísica se firmou como referência na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico
Telescópio brasileiro – O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) é uma instituição central para a ciência brasileira, com uma contribuição destacada para a pesquisa astronômica, a formação de especialistas e o avanço tecnológico no país.
Instalado no sul de Minas Gerais, o Observatório do Pico dos Dias abriga o maior telescópio em operação no Brasil e teve papel fundamental na consolidação da astronomia nacional. Ao relembrar a trajetória do laboratório, os desafios enfrentados ao longo do tempo e os projetos que moldam o futuro da instituição, o diretor do LNA, Wagner Corrade Barbosa, destaca: “Não tinha telescópio no Brasil pra gente poder ter os nossos próprios dados.”
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Participaram do programa o diretor do LNA, Wagner Corrade Barbosa, e o vice-diretor, Luciano Fraga. Durante a conversa, eles abordaram a trajetória do laboratório, os desafios enfrentados ao longo do tempo e os projetos que moldam o futuro da instituição
Além das atividades realizadas em território nacional, o LNA possibilita a participação de pesquisadores brasileiros em grandes observatórios internacionais, como o SOAR, no Chile, e o Gemini, que conta com espelhos de 8 metros de diâmetro. De acordo com o vice-diretor do LNA, Luciano Fraga, a entrada do Brasil nesses consórcios elevou o nível da produção científica nacional.
“Poucos laboratórios no mundo são capazes de fazer um instrumento como esse”, afirmou, ao comentar o desenvolvimento de tecnologias avançadas de instrumentação com fibra óptica produzidas no Brasil. Durante a implantação do laboratório, até navios com cargas de café brasileiro foram utilizadas como moeda de troca para adquirir equipamentos, como um instrumento óptico que veio da Alemanha.
Telescópio “democrático”
O Laboratório Nacional de Astrofísica tem um caráter multiusuário e aberto. O observatório funciona de forma democrática, com projetos selecionados por mérito científico e a possibilidade de observação remota, ampliando o acesso de pesquisadores de diferentes regiões do país. “Hoje em dia a gente oferece esse telescópio também em modo remoto. Isso facilita muito o acesso”, explica Fraga.
O futuro do Observatório do Pico dos Dias também é pauta atual e entre os planos formatados, estão a modernização dos equipamentos e a robotização das operações, com a adoção do chamado ‘modo serviço’. Nesse modelo, sistemas automatizados definem os projetos mais adequados para cada noite de observação e respondem rapidamente a fenômenos inesperados, como explosões de supernovas. “Se explode uma supernova, o robô para tudo e observa”, resume Corrade.
A dupla defende que investimentos em astronomia trazem benefícios diretos para a sociedade, com aplicações em áreas como saúde e monitoramento ambiental. Para Corrade, o impacto do LNA vai além da pesquisa acadêmica. “O LNA realmente é uma joia brasileira”, afirma, ao destacar a missão de construir um legado científico e tecnológico duradouro para o país.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/maria69)