Pesquisadores identificaram aumento da temperatura em regiões próximas a hiperescaladores de IA, enquanto especialistas defendem maior eficiência energética e novas estratégias de refrigeração para reduzir os impactos ambientais
Data centers – O crescimento do consumo de energia por data centers está associado à formação de “ilhas de calor”, capazes de elevar a temperatura do solo em até 8,9°C e afetar regiões localizadas a até 100 quilômetros dessas instalações. A conclusão faz parte do estudo “O efeito ilha de calor dos dados: quantificando o impacto dos centros de dados de IA em um mundo em aquecimento”, desenvolvido por pesquisadores do grupo de Observação da Terra da Universidade de Cambridge.
Os autores destacam que ainda existem lacunas importantes sobre os efeitos ambientais provocados pelos centros de dados. Mesmo assim, alertam que a rápida expansão dessas estruturas poderá gerar consequências significativas para o meio ambiente, a qualidade de vida da população e a economia.
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A pesquisa utilizou informações de temperatura coletadas por sensores remotos ao longo dos últimos 20 anos e cruzou esses dados com a localização de grandes data centers dedicados à inteligência artificial. A análise revelou que, após o início das operações dessas instalações, a temperatura da superfície aumentou, em média, 2°C. Em situações extremas, o aquecimento chegou a 9,1°C nas áreas próximas, com efeitos observados em um raio de até 100 quilômetros.
Com a crescente demanda por soluções de inteligência artificial, Marlon Menezes, engenheiro de sistemas da Nutanix, afirma que reduzir a geração de calor e aprimorar os sistemas de refrigeração são medidas fundamentais para minimizar esses impactos.
“A primeira alternativa é reduzir a geração de calor na origem. Isso passa por consolidação de infraestrutura, modernização de ambientes legados, maior densidade útil, automação e redução de recursos ociosos. Quanto mais eficiente for o uso de computação, armazenamento e rede, menor tende a ser a energia desperdiçada e menor a carga térmica que precisa ser dissipada”, aponta. “A segunda frente é melhorar a refrigeração e a gestão térmica, o que inclui um desenho adequado de corredores quentes e frios, sensores, automação, monitoramento contínuo, refrigeração líquida para ambientes de alta densidade e sistemas mais eficientes de controle de fluxo de ar”, complementa.
Eficiência e sustentabilidade
Na avaliação do especialista, a adoção de tecnologias inovadoras deve caminhar lado a lado com critérios de sustentabilidade, considerando uma visão de “valor total”. Segundo Menezes, projetos de inteligência artificial ou de modernização de data centers precisam ser analisados não apenas pelo desempenho e investimento inicial, mas também pelo consumo de energia, ocupação do espaço físico, vida útil dos equipamentos, governança, soberania dos dados, segurança e eficiência operacional ao longo do tempo.
“Isso reforça que inovação sustentável não é simplesmente levar tudo para um único modelo de infraestrutura. É escolher a arquitetura certa para cada necessidade. Em muitos casos, ambientes híbridos permitem combinar desempenho, controle, proximidade dos dados, eficiência operacional e melhor aproveitamento dos investimentos existentes”, pontua.
Planejamento e infraestrutura
O engenheiro também defende que os data centers sejam tratados como parte da infraestrutura urbana, energética e ambiental, e não apenas como ativos tecnológicos. Para isso, considera essencial incorporar estudos sobre disponibilidade de água e energia, impactos térmicos locais, localização, licenciamento ambiental e diálogo com comunidades, concessionárias e gestores públicos.
“Isso exige avaliação de disponibilidade de energia e água, estudo de impacto térmico local, análise de localização, licenciamento ambiental, diálogo com comunidades e planejamento conjunto com concessionárias, governos locais e empresas”, acrescenta.
Cinco pilares para o futuro
De acordo com Menezes, a construção de um modelo mais sustentável para os data centers depende de cinco frentes principais: consolidação de arquiteturas híbridas e multicloud; ampliação do uso de containers e tecnologias cloud native para aplicações de IA; automação baseada em dados; evolução dos sistemas de refrigeração; e uma mudança estrutural no planejamento desses empreendimentos.
“No fim, o futuro sustentável dos data centers não dependerá de uma única tecnologia. Ele virá da combinação entre infraestrutura moderna, software mais eficiente, energia renovável, governança de dados, métricas transparentes e capacidade de operar IA com disciplina arquitetural. A discussão não é IA versus sustentabilidade; é IA com arquitetura, governança e eficiência desde o primeiro dia”, conclui.
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(Com informações de TI Inside)
(Foto: Reprodução/Magnific/dasun404malaka)