Análise levantou dados de países que adotaram jornada de trabalho reduzida e verificou que não houve impacto negativo

Reduzir a jornada – Uma análise baseada em dados de cinco países da Europa indica que a diminuição da jornada de trabalho não resultou em queda significativa do Produto Interno Bruto (PIB) nem em perdas relevantes de postos de trabalho. O levantamento, publicado por pesquisadores ligados ao Instituto de Economia do Trabalho (IZA), examinou reformas implementadas entre 1995 e 2007 na França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia.

De acordo com o estudo, os níveis de emprego permaneceram estáveis após a adoção de jornadas menores. Ao mesmo tempo, as economias desses países continuaram a crescer de forma consistente ao longo do período analisado. Os pesquisadores também identificaram efeitos positivos, ainda que discretos, sobre os salários por hora e a produtividade.

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Emprego se manteve estável após reformas

A pesquisa avaliou 32 setores econômicos com base em bancos de dados europeus, excluindo áreas como agricultura, saúde e educação, onde há maior presença de trabalhadores autônomos ou do setor público. O recorte temporal foi encerrado em 2007 para evitar interferências da crise financeira global iniciada no ano seguinte.

Os resultados desafiam projeções divergentes que têm marcado o debate sobre a jornada de trabalho no Brasil, especialmente em torno da escala 6×1. Enquanto algumas análises preveem retração econômica e redução de empregos, outras apontam a possibilidade de novas contratações com a redistribuição das horas trabalhadas.

Segundo os autores, não houve aumento significativo do emprego total decorrente dessa dinâmica. Por outro lado, a pesquisa também contraria a hipótese de que a redução da jornada, sem corte salarial, elevaria os custos a ponto de provocar demissões. Os dados indicam que esses custos adicionais foram absorvidos pelas economias analisadas, sem impactos relevantes sobre o nível de ocupação.

Jornadas menores podem elevar produtividade

Os pesquisadores sugerem que os efeitos da redução da jornada podem se assemelhar aos de um aumento do salário mínimo, com ajustes relativamente rápidos por parte do mercado.

Além disso, jornadas mais longas tendem a apresentar retornos decrescentes para as empresas, o que abre espaço para que semanas de trabalho mais curtas favoreçam tanto o desempenho produtivo quanto a capacidade de atrair e reter trabalhadores.

“Se as reformas do tempo de trabalho não prejudicarem os trabalhadores, seja em termos de salários ou de emprego, ao mesmo tempo que liberam mais tempo de lazer, pode-se argumentar que uma semana ou jornada de trabalho mais curta leva a um aumento do bem-estar”, conclui o estudo.

(Com informações de Agência Brasil)
(Foto: Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil)