IBGE mostra crescimento da renda do trabalho, aumento do rendimento domiciliar e manutenção das diferenças regionais, raciais e de gênero no Brasil

Renda – A renda média dos brasileiros atingiu o maior patamar da série histórica em 2025. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal, considerando todas as fontes de renda, chegou a R$ 3.367, avanço real de 5,4% em relação ao ano anterior.

As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e indicam também ampliação do número de pessoas com alguma fonte de rendimento. Em 2025, 67,2% da população residente no país, cerca de 143 milhões de brasileiros, receberam valores provenientes de trabalho, aposentadorias, programas sociais ou outras fontes.

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O trabalho permaneceu como principal responsável pela renda das famílias. A massa de rendimentos obtida pelos trabalhadores somou R$ 361,7 bilhões por mês em 2025.

De acordo com o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, o crescimento acompanha uma trajetória observada nos últimos anos. “São quatro anos consecutivos de crescimento da massa de rendimento do trabalho a taxas anuais superiores a 6%.”

Segundo Fontes, o avanço ganhou intensidade a partir de 2022 e atingiu o pico em 2023, quando a alta anual chegou a 11,6%.

O rendimento médio mensal do trabalho ficou em R$ 3.560 em 2025, crescimento real de 5,7% na comparação com 2024 e de 11,1% em relação a 2019, período anterior à pandemia de Covid-19.

Os dados também mostram avanço da renda domiciliar per capita, indicador que considera todos os moradores do domicílio, tenham ou não rendimento. Em 2025, o valor alcançou o maior nível da série histórica, após crescimento de 6,9% frente ao ano anterior.

O resultado reforça uma sequência de altas iniciada em 2022, quando o indicador avançou no mesmo ritmo. Em 2023, a expansão foi de 11,6%, seguida por nova elevação de 5% em 2024. No acumulado desde 2019, a renda domiciliar per capita cresceu 18,9%. Em comparação com 2012, primeiro ano da pesquisa, o aumento chega a 27%.

Apesar do avanço nacional, o levantamento evidencia diferenças regionais significativas. A Região Sul apresentou o maior rendimento domiciliar per capita do país, com média de R$ 2.734, embora tenha registrado a menor alta anual entre 2024 e 2025, de 4,9%.

O Centro-Oeste aparece logo em seguida, com rendimento médio de R$ 2.712 e o maior crescimento anual do país, de 11,3%. Segundo o IBGE, o desempenho foi impulsionado pelo Distrito Federal.

“Houve aumento importante do rendimento médio do trabalho entre empregadores e crescimento da população ocupada no setor público, com novos concursos”, explicou Fontes.

O Sudeste registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.669, acima da média nacional. Já Norte e Nordeste seguem com os menores níveis de renda do país, com médias de R$ 1.558 e R$ 1.470, respectivamente. Ainda assim, as duas regiões acumularam os maiores avanços desde 2019: 33,6% no Norte e 23,8% no Nordeste.

A composição da renda também varia entre as regiões brasileiras. Em nível nacional, os rendimentos do trabalho responderam por aproximadamente três quartos da renda domiciliar per capita em 2025. No Centro-Oeste, essa participação chegou a 78,9%, enquanto no Nordeste ficou em 67,4%, indicando maior peso de aposentadorias, benefícios sociais e outras fontes de renda no orçamento das famílias.

A pesquisa também aponta que o crescimento da renda não ocorreu de forma uniforme entre os diferentes grupos da população.

No recorte por cor ou raça, pessoas brancas continuaram registrando rendimentos médios superiores aos de pretos e pardos. Em 2025, trabalhadores brancos tiveram rendimento médio de R$ 4.577, enquanto pessoas pretas receberam R$ 2.657 e pessoas pardas, R$ 2.755. A diferença entre brancos e pretos supera R$ 1.900 e permanece elevada ao longo de toda a série histórica.

As desigualdades também aparecem na divisão por sexo. Os homens tiveram rendimento médio de R$ 3.921 por mês em 2025, enquanto as mulheres receberam, em média, R$ 3.085.

O levantamento mostra ainda que a escolaridade segue como principal fator de influência sobre a renda do trabalho. Trabalhadores sem instrução receberam, em média, R$ 1.518 em 2025. Entre aqueles com ensino superior completo, o rendimento médio chegou a R$ 6.947, mais de quatro vezes superior.

(Com informações de G1)

(Foto: Reprodução/Magnific)