Documento da ONG denuncia impacto do poder econômico na política global e destaca o papel de bilionários no governo americano
Super-ricos – A riqueza acumulada pelos bilionários alcançou um patamar histórico em 2025, aprofundando a desigualdade social e “minando a liberdade política”, de acordo com o relatório anual “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado hoje pela ONG Oxfam. O estudo critica a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e foi apresentado no mesmo dia da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Segundo o levantamento, os 12 indivíduos mais ricos do planeta “possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade”, o equivalente a cerca de quatro bilhões de pessoas. Em 2024, o número de bilionários ultrapassou pela primeira vez a marca de 3.000 no mundo, somando um patrimônio conjunto de US$ 18,3 trilhões, conforme dados da organização.
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O valor dos maiores patrimônios cresceu 16,2%, um ritmo três vezes superior ao registrado nos cinco anos anteriores. Em sentido oposto, o avanço na redução da pobreza vem perdendo força desde a pandemia de 2020. Para a Oxfam, a concentração extrema de riqueza amplia o acesso dos ultrarricos a instituições e meios de comunicação, “minando a liberdade política e corroendo os direitos da maioria”.
O relatório também aponta que os bilionários “têm cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar um cargo político” do que cidadãos comuns. Os Estados Unidos são citados como exemplo central, já que o governo de Donald Trump reúne diversos integrantes bilionários.
“Isso pode ser observado nos EUA com o envolvimento de bilionários, em particular o de Elon Musk, nas eleições americanas. Estima-se que US$ 1 em cada US$ 6 gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos venha de doadores bilionários”, afirmou Layla Abdelké Yakoub, representante da Oxfam.
“Nenhuma legitimidade democrática”
Em Davos, o presidente americano foi alvo de uma manifestação organizada pela Juventude Socialista Suíça. Cerca de 300 pessoas participaram do protesto, algumas usando máscaras com os rostos do bilionário Elon Musk, do chanceler alemão Friedrich Merz e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. O grupo também exibiu notas gigantes de euro feitas de papelão.
A vice-presidente da Juventude Socialista, Nathalie Ruoss, criticou o encontro. Segundo ela, o fórum “é o lugar onde as pessoas mais poderosas e ricas do mundo se reúnem para discutir o nosso futuro, tomar decisões sobre ele com relação à economia ou ao clima, que afetam a todos, e fazem isso sem qualquer legitimidade democrática”. Ruoss classificou ainda como “inaceitável receber fascistas como Donald Trump, já que isso também contribui para legitimar suas ações”.
“As desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”, afirmou o diretor-geral da Oxfam, Amitabh Behar. Com a aproximação das eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para novembro, o relatório destaca a previsão de amplos cortes de impostos para empresas e famílias de alta renda, enquanto multinacionais americanas obtiveram isenção da taxa mínima global de 15% prevista em acordo internacional.
“As medidas tomadas durante a presidência Trump beneficiaram os mais ricos em todo o mundo”, aponta a Oxfam. A organização defende a redução do poder dos ultrarricos por meio de uma tributação mais efetiva e da proibição do financiamento privado de campanhas eleitorais.
Abdelké Yakoub, diretor-geral da Oxfam, também denunciou o uso da plataforma X como instrumento de repressão política. “Diante dessas reações da população exausta e irritada com tanta desigualdade, ocorreram respostas autoritárias e violentas. O X é usado para rastrear, punir, sequestrar e torturar críticos do governo. Até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos ultrarricos às custas de sua população?”
(Com informações de Uol)
(Foto: Reprodução/Freepik/EyeEm)