Especialistas estimam em 50% a chance de computadores quânticos quebrarem chaves RSA de 2048 bits até 2040
Risco quântico – A computação quântica ainda não representa uma ameaça imediata aos sistemas de segurança adotados pelas empresas, mas as organizações já precisam iniciar o planejamento para migrar suas infraestruturas para a criptografia pós-quântica (PQC). A avaliação é de Jesse Schrater, diretor de segurança da Intel, em análise publicada pela MIT Technology Review.
A preocupação está no potencial de computadores quânticos suficientemente avançados comprometerem algoritmos usados atualmente para proteger transações digitais, comunicações e dados corporativos. Como a mudança envolve diferentes componentes tecnológicos, a adaptação deverá ser realizada gradualmente e pode levar anos.
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Uma estimativa do Global Risk Institute ajuda a dimensionar esse horizonte. Em 2024, a entidade consultou 32 especialistas em computação quântica sobre a possibilidade de uma máquina desse tipo conseguir quebrar uma chave RSA de 2048 bits em até 24 horas. Considerando as previsões mais otimistas e pessimistas, o levantamento chegou a uma probabilidade de 50% de que essa capacidade esteja disponível até 2040.
Antes mesmo de computadores quânticos capazes de executar esse tipo de ataque se tornarem realidade, existe o risco associado ao chamado “harvest now, decrypt later”. A estratégia consiste em coletar dados criptografados no presente, armazená-los e tentar decifrá-los posteriormente, quando houver tecnologia capaz de superar os mecanismos de proteção utilizados atualmente.
EUA estabelecem cronograma para adoção de criptografia pós-quântica
Os Estados Unidos já estabeleceram um calendário para a atualização dos sistemas relacionados à segurança nacional. A partir de janeiro de 2027, novas aquisições destinadas aos National Security Systems deverão atender aos requisitos da Commercial National Security Algorithm Suite 2.0, que reúne algoritmos de criptografia pós-quântica padronizados pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) e escolhidos pela National Security Agency (NSA).
A implantação nos novos sistemas, salvo algumas exceções, deverá ser concluída até 2031. A previsão é alcançar a adoção completa em 2035. Embora o cronograma não tenha caráter obrigatório para empresas privadas, Schrater considera que ele serve como indicativo da trajetória que deve ser seguida por fabricantes, entidades de padronização e órgãos de auditoria.
A mudança também exigirá adaptações na infraestrutura tecnológica. Os algoritmos pós-quânticos utilizam chaves maiores e apresentam demandas computacionais diferentes das soluções atuais. De acordo com a Intel, será necessário analisar os efeitos dessas alterações sobre desempenho, protocolos, APIs, hardware e software.
A empresa afirma que o processador Xeon 6 já conta com mecanismos como criptografia de memória AES-256 e assinatura de microcódigo. Nas próximas plataformas, a tendência é ampliar a aplicação de algoritmos pós-quânticos em recursos como assinatura de firmware e software, comunicação entre dispositivos, atestação e inicialização segura.
A Intel também aponta o uso de aceleradores criptográficos, bibliotecas otimizadas e do Intel QuickAssist Technology como alternativas para diminuir o impacto das operações de segurança sobre o desempenho dos sistemas.
A preparação, entretanto, não pode ficar restrita aos processadores. Componentes como SSDs, placas de rede, sistemas operacionais, hipervisores, aplicativos e serviços conectados também fazem parte da infraestrutura que deverá ser avaliada durante a transição.
Para as empresas, a orientação inicial é identificar os pontos da infraestrutura em que a criptografia é utilizada, os algoritmos empregados e o período durante o qual cada categoria de informação precisa permanecer protegida. O levantamento deve incluir dados armazenados ou transmitidos, assinaturas digitais, certificados, mecanismos de identificação de dispositivos, sistemas de atualização de software e chaves usadas na assinatura de firmware.
A recomendação é começar pelos dados de maior valor e que precisam permanecer protegidos por períodos prolongados. Também devem receber atenção especial os componentes que sustentam a confiança dos sistemas, entre eles certificados raiz e chaves de assinatura.
Outro conceito considerado importante é o de “agilidade criptográfica”. A ideia é desenvolver arquiteturas capazes de trocar algoritmos de segurança conforme novas ameaças e padrões surgirem, sem exigir alterações extensas na infraestrutura ou provocar interrupções nos sistemas corporativos.
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(Foto: Reprodução/Magnific/pressfoto)