Estrutura de biossegurança nível 3 amplia capacidade científica da UFU e permitirá pesquisas com agentes de alto risco sem envio de amostras para a capital
Microrganismos perigosos – A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) passou a contar com uma nova estrutura voltada à pesquisa de agentes infecciosos de alto risco. Inaugurado no campus Umuarama, o laboratório de biossegurança nível 3 (NB3) é o primeiro do tipo no Triângulo Mineiro e representa um avanço significativo para a ciência e a vigilância sanitária na região.
Instalado no Bloco 4U, o espaço foi projetado para o manuseio de vírus e bactérias que exigem isolamento rigoroso. Até então, Minas Gerais possuía apenas uma unidade com esse nível de biossegurança, localizada em Belo Horizonte.
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Infraestrutura de alto padrão e foco em segurança
Com investimento superior a R$ 10 milhões, o laboratório foi desenvolvido para estudar microrganismos capazes de se transmitir pelo ar e provocar doenças graves. Segundo o Ministério da Saúde, agentes classificados no nível 3 apresentam alto risco individual, como o vírus HIV, a febre amarela e a tuberculose.
O diretor técnico-científico, Murilo Vieira da Silva, destacou que a universidade já operava com laboratórios de níveis 1 e 2, mas a nova unidade eleva o padrão das pesquisas realizadas na instituição. “O investimento é altíssimo para garantir, por exemplo, que todo o ar que entra e sai da instalação seja filtrado, eliminando riscos para a população“, afirmou.
Acesso restrito e protocolos rigorosos
O funcionamento do NB3 segue normas estritas de segurança. Apenas profissionais capacitados têm permissão para entrar no local, sempre equipados com EPIs específicos. Entre os itens obrigatórios estão máscaras especiais, luvas duplas, macacões com capuz e proteção facial.
Outro diferencial está no sistema de tratamento de resíduos. Todo o esgoto gerado na instalação passa por um processo de inativação de agentes biológicos antes de ser descartado na rede pública. Além disso, os pesquisadores atuam sempre em dupla, reforçando o controle e a segurança durante os experimentos.
Avanços para a pesquisa e impacto regional
A construção do laboratório contou com recursos da Finep, da Fapemig e do Ministério Público do Trabalho. De acordo com o reitor da UFU, Carlos Henrique de Carvalho, novos investimentos de R$ 4 milhões para aquisição de equipamentos devem ser liberados nas próximas semanas.
Em um primeiro momento, as pesquisas devem se concentrar em doenças que impactam a produção avícola e agrícola. A iniciativa fortalece a relação com empresas do setor produtivo regional e amplia o potencial de inovação.
Além disso, a nova estrutura permitirá que diagnósticos relacionados a surtos e pandemias sejam realizados em Uberlândia, reduzindo a dependência do envio de amostras para Belo Horizonte e agilizando respostas em situações de emergência sanitária.
(Com informações de Regionalzão)
(Foto: Reprodução/Freepik)