Declarações apontam riscos de segurança, ataques cibernéticos e perda de controle sobre sistemas avançados de inteligência artificial

Riscos da IA – O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) passou a provocar alertas entre executivos de empresas do setor, pesquisadores, ativistas e organizações internacionais. Nos últimos meses, diferentes nomes ligados à tecnologia defenderam maior cautela no desenvolvimento de sistemas cada vez mais capazes e chegaram a levantar a possibilidade de consequências graves para a segurança humana.

Entre os cenários citados estão o uso da IA para ataques cibernéticos, a concentração de poder nas mãos de poucas empresas e pessoas, a manipulação de usuários e, em uma hipótese mais extrema, a possibilidade de sistemas avançados escaparem do controle humano.

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Alguns especialistas também defendem a criação de mecanismos internacionais de governança para estabelecer regras e padrões de segurança para o desenvolvimento da tecnologia.

Dario Amodei pede cautela no avanço da IA

Em artigo publicado em 12 de setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude, pediu que as companhias do setor moderem o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos diante do aumento das preocupações relacionadas ao uso indevido da tecnologia.

“Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar”, escreveu Amodei.

A preocupação também foi compartilhada por executivos de empresas que concorrem com a Anthropic, entre eles Sam Altman, CEO da OpenAI, responsável pelo ChatGPT; Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind.

Sam Altman defende controle do ritmo

Ao concordar com a declaração de Amodei, Sam Altman afirmou que é necessário “marcar um ritmo da fronteira” de IA.

“Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve”, escreveu.

No início de agosto, a OpenAI anunciou que estava desacelerando o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial enquanto reformulava seus sistemas de pesquisa e treinamento. A decisão ocorreu após um agente em teste invadir sistemas de outra empresa.

“É o primeiro incidente de (ciber)segurança que me provocou uma reação visceral”, reconheceu Altman em uma entrevista para o podcast “Invest Like The Best”.

Segundo ele, o episódio também levanta uma questão sobre o futuro do desenvolvimento da tecnologia. “Mas, a longo prazo, surge a pergunta sobre o que fazer caso nos deparemos com um novo ritmo de avanço” da IA, explicou, em um contexto em que “poderíamos ter que desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente à sociedade para lidar com essas novas capacidades”.

Ex-pesquisador acusa empresas de irresponsabilidade

Também em setembro de 2026, Jacob Coxon, pesquisador britânico de inteligência artificial de 27 anos, deixou a indústria acusando a OpenAI e a Anthropic de “brincar com as nossas vidas”. Coxon havia trocado a OpenAI pela Anthropic por considerar a empresa mais prudente.

“Nenhuma das empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas”, escreveu Coxon na rede social X.

“As pessoas que estão construindo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos até o fim da década. Isto não é uma jogada de marketing”, acrescentou.

Evan Hubinger, diretor de segurança na Anthropic, concordou com Coxon em uma publicação no X. “Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos”. Em caráter pessoal, ele calculou o risco em “mais de 10%” dentro da próxima década.

ONU alerta para risco existencial

A preocupação também chegou às discussões internacionais. No início de setembro, o Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos alertou para a necessidade de criar rapidamente mecanismos de governança para a inteligência artificial.

Segundo Volker Türk, a IA avançada pode “representar um risco existencial para a humanidade”.

“Uma IA que escapa de seu ambiente de teste ou que chantageia os desenvolvedores para evitar ser desativada é uma IA muito poderosa”, declarou o Alto Comissário na abertura do 63º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Türk também criticou a concentração de poder relacionada ao desenvolvimento da tecnologia. O representante da ONU lamentou que “um punhado de homens tenha um poder quase ilimitado sobre a IA, que nos dizem repetidamente ter uma capacidade de computação inimaginável”.

Bill Gates também demonstra preocupação

Em agosto de 2026, Bill Gates, cofundador da Microsoft, que vinha adotando uma visão mais otimista sobre a inteligência artificial, afirmou estar preocupado com o uso da tecnologia em ataques, a substituição de trabalhadores e a manipulação de usuários.

Gates citou testes de segurança nos quais modelos da OpenAI, Anthropic e Meta conseguiram realizar ataques contra sites reais. “Esses incidentes de segurança são chocantes e deveriam impressionar as pessoas”, disse.

O bilionário também defendeu a criação de uma organização internacional para administrar questões relacionadas à inteligência artificial.

Trump critica pedidos de cautela

Enquanto especialistas e executivos defendem maior prudência, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou aqueles que pedem cautela com o avanço da IA.

Neste domingo (13), Trump comparou os críticos da inteligência artificial a “forças muito negativas” que estariam levantando cenários que não vão acontecer. Ele também afirmou que pretende garantir que os Estados Unidos continuem na liderança do setor.

“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam”, afirmou Trump.

China também aponta riscos da tecnologia

A China, que disputa com os Estados Unidos a liderança no desenvolvimento de inteligência artificial, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional quando utilizada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.

“Forças hostis” abusam de tecnologias generativas de IA para “fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais”, escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.

Em seu artigo, Amodei defendeu uma colaboração entre empresas de “países democráticos” e aconselhou “não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China”.

Segundo ele, “as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo mais provável no futuro”.

Europa e Reino Unido defendem debate baseado em evidências

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, afirmou que o bloco é favorável ao desenvolvimento da inovação em inteligência artificial, mas ressaltou que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Andy Burnham também considera positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz.

Segundo ele, as decisões relacionadas ao tema precisam ser baseadas em evidências.

O conjunto de declarações mostra que a discussão sobre os limites do desenvolvimento da inteligência artificial deixou de estar restrita aos laboratórios e às empresas de tecnologia. À medida que os sistemas se tornam mais capazes, executivos, pesquisadores e autoridades passaram a discutir não apenas o potencial da IA, mas também os mecanismos necessários para garantir que seu avanço permaneça sob controle.

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(Com informações de G1)

(Foto: Reprodução/Magnific/Sorapop)