Levantamento global do IWG mostra que implantes neurais, inteligência artificial, realidade virtual e modelos híbridos devem remodelar carreiras, escritórios e relações de trabalho até 2050
Trabalho até 2050 – Implantes neurais capazes de conectar diretamente o cérebro humano a dispositivos externos são a tecnologia que profissionais de diferentes países mais esperam ver incorporada ao ambiente de trabalho até 2050. A conclusão é de uma pesquisa realizada pelo International Workplace Group (IWG), que analisou as expectativas de líderes de recursos humanos e funcionários sobre as transformações que devem marcar o mundo corporativo nas próximas décadas.
O estudo “IWG’s work reimagined: The office of 2050” (“O trabalho reimaginado pelo IWG: O escritório de 2050”, em tradução livre) reúne respostas de profissionais de diversas partes do mundo e aponta que o avanço acelerado da tecnologia deverá alterar profundamente a forma como as pessoas trabalham. O IWG é a principal plataforma do mundo do trabalho, com marcas como Regus e Spaces.
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Segundo a pesquisa, 68% dos líderes de RH e 72% dos funcionários acreditam que a tecnologia tornará o ambiente de trabalho irreconhecível até 2050. Entre as inovações destacadas está a neurotecnologia, já desenvolvida por empresas como a Synchron e a Neuralink, de Elon Musk, que se aproxima de aplicações práticas. Os entrevistados também apontam que sistemas inteligentes serão capazes de automatizar fluxos de trabalho complexos, personalizar ambientes e acelerar a tomada de decisões.
A inteligência artificial aparece como uma das principais forças dessa transformação. Para 71% dos líderes de RH e 73% dos funcionários, a IA e a automação irão remodelar a maior parte das funções de escritório. Aproximadamente dois terços dos participantes acreditam ainda que sistemas baseados em IA poderão definir os melhores horários e locais para colaboração entre equipes.
O levantamento destaca que o treinamento aprimorado por inteligência artificial já acelera processos de aprendizagem em diferentes contextos, da educação ao ambiente corporativo. Segundo o estudo, os ganhos de eficiência proporcionados pela tecnologia devem permitir que as pessoas dediquem mais tempo a atividades ligadas à criatividade, à resolução de problemas e à geração de novas ideias.
Como consequência, a velocidade dos negócios também deve aumentar. Entre os entrevistados, 74% dos funcionários e 70% dos líderes de RH acreditam que o ritmo de trabalho será significativamente mais acelerado nas próximas décadas.
A pesquisa também aponta mudanças importantes nos modelos de trabalho. Quase sete em cada dez líderes de RH e funcionários acreditam que os longos deslocamentos diários e o tradicional expediente das 9h às 17h deixarão de existir até 2050.
Nesse cenário, o trabalho passará a ocorrer em uma rede de escritórios distribuídos, em vez de estar concentrado em uma única sede. Sete em cada dez líderes de RH afirmam que as atividades profissionais ocorrerão em múltiplos locais, percepção compartilhada por três quartos dos funcionários. Além disso, 64% dos trabalhadores acreditam que o modelo híbrido será o padrão até 2050, percentual que sobe para 78% entre os líderes de RH.
A flexibilização também deve avançar. Segundo o estudo, 66% dos funcionários e 63% dos líderes de RH acreditam que as políticas rígidas de retorno ao escritório desaparecerão, dando lugar a estratégias que priorizem autonomia e flexibilidade.
As tecnologias imersivas também aparecem entre as principais apostas para o futuro do trabalho. Salas de reunião em realidade virtual e aumentada, capazes de integrar profissionais presenciais e remotos, são apontadas como a segunda inovação mais aguardada pelos entrevistados.
Quase sete em cada dez líderes de RH e funcionários acreditam que essas ferramentas substituirão grande parte das interações tradicionais dos escritórios, incluindo conversas informais e reuniões presenciais.
Os participantes também esperam ambientes de trabalho mais inteligentes e adaptáveis. Entre as funcionalidades projetadas para as próximas décadas estão sistemas que ajustem automaticamente iluminação e condições ambientais ao relógio biológico de cada indivíduo (28%), mecanismos capazes de detectar fadiga e sugerir pausas para descanso (30%) e espaços totalmente conectados à nuvem, com paredes transformadas em superfícies digitais interativas sensíveis ao toque (24%).
Apesar da crescente presença tecnológica, os entrevistados acreditam que os escritórios do futuro serão mais centrados nas pessoas e no bem-estar. Entre as tendências mencionadas estão espaços voltados ao apoio da vida familiar, incluindo áreas de cuidado infantil, citadas por 23% dos líderes de RH e 30% dos funcionários.
Também ganham destaque ambientes multifuncionais que possam ser utilizados para trabalho, aprendizado, socialização e descanso ao longo do dia, apontados por 23% dos líderes e 30% dos funcionários.
A integração com a natureza surge como outra característica relevante. Segundo a pesquisa, 22% dos líderes de RH e 28% dos funcionários imaginam escritórios com paredes vivas, jardins internos e amplas áreas iluminadas naturalmente, buscando criar espaços mais saudáveis e inspiradores.
A flexibilidade aparece como um dos fatores mais importantes para atração e retenção de talentos. Três quartos dos líderes de RH e dos funcionários acreditam que ela será essencial para as organizações em 2050, em um contexto em que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o bem-estar ganharão ainda mais relevância.
Questionados sobre como administrariam uma empresa, muitos profissionais afirmaram que priorizariam a autonomia dos funcionários para escolher onde e como trabalhar, além do fortalecimento das iniciativas voltadas ao bem-estar e da criação de ambientes capazes de estimular comprometimento, retenção de talentos e produtividade.
“A tecnologia sempre moldou a forma como trabalhamos. A diferença hoje está na velocidade com que essa mudança acontece. Os avanços em IA estão transformando o mundo do trabalho num ritmo que a maioria das organizações e indivíduos ainda tem dificuldade em acompanhar. A IA faz parte de uma curva de inovação em ritmo crescente e representa a mudança mais significativa que vi desde que comecei no mundo dos negócios, há seis décadas. Inovações como a IA e a neurotecnologia estão impulsionando um futuro em que o trabalho acontece de forma mais rápida, mais intuitiva e exatamente quando e onde é necessário. Essa transformação não apenas ajusta empregos, mas também redefine a própria velocidade dos negócios. O mundo do trabalho será muito diferente em 2050”, afirma Mark Dixon, CEO e fundador do IWG.
No Brasil, os efeitos dessas transformações já começam a ser percebidos. Um estudo divulgado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estima que cerca de 30 milhões de profissionais brasileiros atuam em ocupações impactadas pela IA generativa, o equivalente a quase 30% da força de trabalho do país.
Os resultados indicam que a tecnologia já influencia a organização das tarefas, especialmente em funções administrativas e cargos de entrada, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para ganhos de produtividade e novas formas de trabalho, sobretudo em setores intensivos em conhecimento.
“O futuro do trabalho no Brasil será cada vez mais descentralizado, flexível e orientado por tecnologia. Já vemos empresas priorizando modelos híbridos, não apenas como benefício ao funcionário, mas também como estratégia para melhorar a produtividade, reter talentos e aumentar a qualidade de vida. Num país com grandes desafios de mobilidade urbana, permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa ou de forma mais distribuída gera benefícios concretos tanto para funcionários quanto para empresas”, diz Tiago Alves, CEO do IWG no Brasil.
(Com informações de TI Inside)
(Foto: Reprodução/Magnific/Imagem gerada por IA)