Pesquisa mostra que medicamentos orais GLP-1 atuam nos circuitos de recompensa do cérebro e reduzem a vontade de comer por prazer

Novo Ozempic – Um estudo publicado na última quarta-feira (06) na revista Nature revelou que medicamentos orais da classe GLP-1 podem reduzir o apetite em camundongos ao diminuir a compulsão alimentar associada ao prazer. A descoberta reforça o potencial dessas drogas como alternativa às tradicionais canetas injetáveis utilizadas no tratamento da obesidade, como o Ozempic.

Além da administração por comprimidos, considerada mais simples e barata em relação aos medicamentos injetáveis, os pesquisadores identificaram que essas substâncias atuam de maneira diferente no organismo. Enquanto a semaglutida interfere no controle geral do apetite, os novos compostos alcançam áreas profundas do cérebro ligadas ao sistema de recompensa, reduzindo a vontade de comer por prazer.

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Entre as drogas analisadas está o orforglipron, já aprovado para uso humano pelo órgão regulador sanitário dos Estados Unidos, o FDA. O medicamento atua modulando circuitos cerebrais relacionados à recompensa.

Segundo os pesquisadores, o estudo ajuda a esclarecer como funcionam os GLP-1 orais de moléculas pequenas, informação que pode contribuir para futuros ajustes em tratamentos contra a obesidade.

A equipe liderada por Ali D. Güler desenvolveu uma substância com moléculas menores e de administração oral, diferentemente de medicamentos injetáveis compostos por moléculas maiores, como a semaglutida. Nos testes realizados, os cientistas observaram que o comprimido não apenas reduz a fome, mas interfere especificamente no desejo de comer motivado pelo prazer.

Para compreender esse mecanismo, os pesquisadores modificaram geneticamente os receptores GLP-1 de ratos de laboratório para que se aproximassem das características humanas. Em seguida, administraram substâncias como orforglipron e danuglipron e analisaram o comportamento das drogas em diferentes regiões cerebrais, especialmente na amígdala cerebral, área associada ao desejo e ao processamento de recompensas.

Após os experimentos, foi identificada uma redução na liberação de dopamina quando essa região cerebral era ativada. Como consequência, os animais apresentaram menor interesse em comer por prazer.

Os resultados indicam que os medicamentos GLP-1 orais não apenas diminuem a sensação de fome, mas também reduzem o prazer associado à alimentação. Segundo os autores, essa mudança influencia diretamente o que o indivíduo come, quando come e em quais quantidades, fatores considerados decisivos para a perda de peso.

A pesquisa também abre espaço para novos estudos sobre o impacto dessas drogas em outros comportamentos compulsivos. Entre as possibilidades levantadas pelos cientistas está a investigação sobre a redução do desejo por substâncias químicas utilizadas de forma recreativa, como álcool, cigarro e metanfetaminas, além de outros comportamentos compulsivos.

(Com informação de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/jcomp)